Procurando algo de interessante para ocupar o meu Verão, pesquisei no Google Summer Schools na Europa. Encontrei a Utrecht Summer School e escolhi o curso “It’s all about Money”.
Uma óptima desculpa para visitar pela primeira vez a Holanda, a Summer School foi muito formativa no sentido do conteúdo, relacionado com contabilidade empresarial, indicadores económicos e um jogo de gestão muito dinâmico. O programa social também foi interessante tendo o ponto alto sido canoagem à noite nos canais de Utrecht.
A convivência do tipo Erasmus foi também um óptimo teaser para reforçar a convicção de que
devo tomar esta opção no próximo ano lectivo (3º ano, 1º semestre de preferência no centro da Europa).
Foi interessante conhecer pessoas mais velhas que eu, com maior experiência, nomeadamente, um russo que trabalha na Russian Space Corporation, um quase advogado inglês, um duplo mestrado alemão, bem como romenos, franceses, belgas, turcos, entre outros.
A organização é o ponto-chave da sociedade holandesa. Tudo é limpo, organizado, prático e as pessoas correspondem com pontualidade e postura intocável. A utilização de bicicletas é, como se sabe muito ampla em todas as camadas sociais. Mas é difícil explicar a simplicidade de se sair à noite de bicicleta ou o exagero do tamanho dos parques de estacionamento para bicicletas!
Antes de regressar a Portugal passei uma noite em Amesterdão. Uma cidade muito bonita, nomeadamente a praça Dam e os vários canais, tal como em Utrecht. Depois de jantar um belo leitão assado no forno e um pudim num restaurante português, aventurei-me no tão afamado Red Light District.
Na viagem de regresso vim a ler um documento das autoridades de saúde de British Columbia, um estado no Canadá ( http://bit.ly/pnQQh ), no qual é analisada, com fundamentação, a questão da legalidade das drogas. Interesso-me bastante por este assunto desde há algum tempo por considerar que tem um impacto tremendo na sociedade, não só na portuguesa, com consequências terríveis para todos os agentes envolvidos (toxicodependentes, famílias, Estado) excepto para os traficantes de droga.
Neste aspecto e no da prostituição, sou a favor de uma política que coloque a máxima “a liberdade de um indivíduo acaba onde a do outro começa” no lugar que merece. Isto é, nas questões que estão relacionadas com a própria pessoa e com o que esta deseja fazer, desde que não tenha interfira na liberdade dos outros, as quais devem portanto deve ser legais ou descriminalizadas. Por exemplo, o consumo de tabaco é legal, mas é proibido em locais fechados onde, naturalmente, a sua acção prejudica as pessoas que se tornam fumadoras passivas.
A limitação da venda de drogas e do serviço de prostituição a um “district” é uma medida perfeitamente legítima no sentido em que aqueles que pretendem evitar essas actividades só precisam de evitar aquela zona. Hoje em dia, o espectáculo degradante da prostituição de rua ocorre em vários locais sem que haja qualquer controlo.
Estas medidas têm acima de tudo o objectivo de defender as pessoas (toxicodependentes e prostitutos) daqueles (traficantes e proxenetas) que sobre eles exercem uma dominação que pode ser fatal para as suas vidas, permitindo ao Estado assegurar a sua protecção, por exemplo, com testes bimensais às doenças sexualmente transmissíveis, diminuição drástica do tráfico de mulheres e diminuição da criminalidade (pelo corte do financiamento dos elevados lucros do mercado negro da droga).